quarta-feira, 29 de abril de 2015

O que aconteceu ao Southampton de Walcott, Bale e Lallana?


Terminada a edição 2014/15 da FA Youth Cup (Taça de Inglaterra Sub-18; vitória do Chelsea FC), aproveitamos para recordar uma das equipas com maior número de jogadores de sucesso a nível profissional: o Southampton de Theo Walcott, finalista vencido em 2004/05. 

O clube do sul de Inglaterra, sobejamente conhecido pela qualidade na formação, apresentava nesse conjunto três atletas que viriam a tornar-se em referências indiscutíveis da história da academia. Theo Walcott, então com 16 anos, foi titular nos jogos da final, demonstrando desde logo um potencial acima da média. Na temporada seguinte, tornou-se no mais jovem de sempre a atuar pela primeira equipa e no fim da mesma reforçou o Arsenal por aproximadamente dez milhões de euros. Pouco depois da transferência, passou a ser também o internacional A inglês mais novo de sempre.


Na ficha de jogo, mas inicialmente no banco de suplentes, estava um jovem galês, também nascido em 1989, chamado Gareth Bale. A ascensão que se verificou nos anos seguintes foi, portanto, uma completa surpresa. Após uma excelente época de 2006/07 (segundo mais novo de sempre no clube), assinou pelo Tottenham, de onde esteve quase a ser dispensado, e daí deu o salto para o Real Madrid, naquela que foi a transferência mais cara da história do futebol.

Mais velho do que os dois anteriores, mas nem por isso titular no conjunto, Adam Lallana chegou um ano depois à equipa A do Southampton, numa altura em que Walcott já havia partido. Contudo, apenas em 2008/09 o médio se tornou habitual no "onze", contribuindo para a memorável caminhada até à Premier League. No último Verão, muito cobiçado no Reino Unido, transferiu-se para o Liverpool por mais do dobro de Walcott e Bale... juntos. Saiba o que aconteceu aos restantes elementos:


Andrew McNeil: um ano após a final, saiu do Southampton sem se ter estreado pela primeira equipa, regressando à sua Escócia natal, para representar o Hibernian. Depois de muitas experiências, fixou-se no Airdrieonians, do terceiro escalão;

Craig Richards: em 2006, sem oportunidades na equipa A, rumou ao futebol australiano, onde hoje representa o Dandenong Thunder, das divisões secundárias;

Sebastian Wallis-Taylor: concluída a FA Youth Cup, recebeu ordem de dispensa, iniciando então uma caminhada no futebol amador. Ao que parece, joga atualmente em França, seu país de origem;

Sean Rudd: também não conseguiu a transição para o plantel principal e abandonou Southampton. Ainda tentou em alguns clubes, como o Oxford United, mas as lesões obrigaram-no a abandonar o futebol;

Martin Cranie: entre alguns empréstimos de curta duração, somou dezasseis encontros com a primeira equipa, mas em 2007 rumou ao rival Portsmouth, onde também não teve sucesso. Há dois anos, juntou-se ao Barnsley e desde então atua no Championship inglês;

Lloyd James: conseguiu duas temporadas de bom nível (em termos estatísticos), mas acabou por rescindir com o Southampton. Hoje, é jogador do Leyton Orient, da segunda divisão;

Tim Sparv: internacional finlandês, rumou, volvido um ano, ao futebol escandinavo. Atuou na Holanda e na Alemanha e em 2014 assinou com o Midtjylland, da Dinamarca;

Nathan Dyer: ficou para o fim, mas poderia perfeitamente estar no início do artigo. Em 2009, depois de quase sessenta jogos na equipa A, assinou pelo Swansea, sendo hoje peça-chave na equipa da Premier League;

Leon Best: jogou algumas vezes com os mais crescidos, mas perdeu-se em empréstimos, estando hoje, com 28 anos, cedido pelo Blackburn ao Brighton;

David McGoldrick: superou os sessenta jogos com o plantel principal e em 2009 assinou pelo Nottingham Forest. Atualmente, ironia das ironias, é habitual na equipa do Ipswich Town;

Kyle Critchell: nunca jogou pela primeira equipa, nem conseguiu afirmar-se noutras paragens, tendo regressado ao modesto Weymouth, onde deu os primeiros passos no futebol;

Feliciano Condesso: o português do conjunto. Foi contratado ao Vitória de Setúbal por mais de cinquenta mil euros, mas um ano após o encontro com o Ipswich mudou-se para a equipa B do Villarreal. Embora tenha marcado presença no Mundial Sub-20 de 2007, não se conseguiu afirmar em nenhuma equipa e a sua carreira entrou numa espiral descente. Atualmente, é jogador do União de Montemor, do CNS.


Uma equipa que sem dúvida constitui um fantástico exemplo de sucesso, tendo lançado três jogadores de classe mundial. Houvesse em mais sítios a mentalidade que há em Southampton e certamente que não seria caso raro. Por outro lado, o Ipswich Town, vencedor dessa FA Youth Cup, não teve um único jogador de Premier League.

Tanto para aprender com um mero jogo do escalão sub-18.



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